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Jornal da Escola Paulista de Medicina nº 1 – ano 1 – novembro de 2011

EPM cria Disciplina de Medicina do Esporte e Atividade Física

Congregação da Escola Paulista de Medicina aprova, por unanimidade, a criação da disciplina de Medicina do Esporte e da Atividade Física.

A iniciativa visará a formação de profissionais mais bem qualificados para o mercado de trabalho.

A importância da atividade física e a prática desportiva é hoje reconhecida na promoção de saúde física e mental. A classe médica reconhece os benefícios da atividade esportiva e os especialistas em Medicina Esportiva conquistam, cada vez mais, espaço nos meios acadêmicos.

Entretanto, Moisés Cohen, atual chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo, explica que os cursos de graduação em Medicina não apresentam, em sua maioria, disciplinas destinadas à formação específica em Medicina do Esporte (ME) em seus currículos, tornado-se necessária a existência de curso de especialização nesse campo.

Com base nessa deficiência, a congregação da EPM/Unifesp aprovou em setembro, por unanimidade, a criação da disciplina de Medicina do Esporte e Atividade Física em seu programa de graduação a partir de 2012. A iniciativa teve o apoio do professor Flávio Faloppa, enquanto chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, e do diretor da EPM, Antonio Carlos Lopes. “Consequentemente uma disciplina ao nível de pós-graduação deverá ser implementada com linhas de pesquisa em atividade física, não apenas para esportistas, mas para crianças e o público de terceira idade, envolvendo a prevenção e terapias”, explica Moisés Cohen. “Já no esporte de alto desempenho, programas de supervisão médica do treinamento e protocolos de tratamento ortopédico serão realizados junto aos diversos grupos especializados”.

De acordo com ele, no planejamento estratégico, a EPM pretende que a criação da nova disciplina permita que os valores do Centro de Medicina do Esporte e da Atividade Física sejam reconhecidos como centro de excelência na gestão do conhecimento na área de ME dentro e fora da instituição. “Mais que oferecer assistência médica padronizada de qualidade com resolutividade, a disciplina de ME pretende contribuir com um ensino médico que permita a formação de profissionais mais bem qualificados e comprometidos com uma atitude de valorização da atividade física como agente de promoção de saúde”.

ME na Residência Médica

A Medicina do Esporte não envolve apenas atletas, mas sim, pessoas que almejam ter uma melhoria na sua qualidade de vida por meio de atividade física ou do esporte.

No Brasil, a especialidade é reconhecida pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Federal de Medicina. Em 1962 foi criada a suaentidade representativa, a Sociedade Brasileira

Moisés Cohen ao lado de equipamentos do CETE de Medicina do Esporte e Exercício (SBME), que desde então, divulga conhecimentos científicos
relacionando saúde à atividade física. Em 2005, foi aprovada como especialidade pela Residência Médica de Medicina do Esporte e Exercício, possibilitando o encaixe imediato no mercado de trabalho para sete alunos recém-formados.

Na área da Residência Médica, criada em 2007, a ME tem recebido procura de interessados de todo o país. “O programa, aprovado pela Comissão de Residência Médica é multidisciplinar e temos a felicidade de ter tido a adesão de todas as disciplinas da universidade envolvidas com esporte”, afirma Cohen. “ A partir dessa iniciativa é necessária a criação de uma disciplina de Medicina do Esporte, que já é oferecida em caráter optativo, mas buscaremos que seja incluída na grade curricular da EPM”.

Mais de 40 anos de tradição

O interesse pela Medicina Esportiva no que diz respeito às pesquisas sobre o exercício físico e na avaliação e suporte ao treinamento de atletas já ocupa destaque e tradição na EPM, desde a década de 70, quando foi realizado o primeiro estudo brasileiro sobre ajustes ao exercício apresentado à Sociedade Internacional de Fisiologia.

Nas décadas seguintes, outros estudos comparativos, trabalhos com atletas olímpicos, seleção brasileira de futebol, seleção de futebol da Arábia Saudita, clubes de futebol e outras modalidades esportivas foram realizados pelo Centro de Medicina e Atividade Física do Esporte (CEMAFE) e pelo Centro de Fisiologia do Exercício (o CEFE). Em 1995, os Departamentos de Fisiologia e de Psicobiologia, coordenados pelos

professores Sérgio Tufik e Marco Túlio, iniciaram um trabalho pioneiro junto ao Esporte Paraolímpico Brasileiro na preparação dos atletas que competiriam em Atlanta. O trabalho foi continuado e aperfeiçoado para as competições realizadas em Sidney (2000), Atenas (2004) e Pequim (2008).

Fundado em 1997, com o objetivo de estudar e prevenir as lesões dos esportistas, o Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte (CETE) contou com membros oriundos das várias especialidades ortopédicas, além de ortopedistas formados anualmente, com especialização em traumatologia do esporte.

Na opinião de Moisés Cohen, fundador e primeiro a chefiar o CETE, o crescimento foi rápido, mas ainda sentia a falta da união interdisciplinar de outras especialidades da saúde praticadas na instituição para formar um grande grupo que permitisse dar as diretrizes da Medicina do Esporte. “Com este objetivo, o CETE buscou uma série de parcerias dentro da própria universidade para realizar um grupo de estudos absolutamente inusitado dentro do nosso país, contando com recursos de pesquisa bastante pioneiros, que certamente colocarão a Unifesp dentro do avanço mundial da Traumatologia Esportiva”, explica.

O CETE é também responsável pela Liga de Traumatologia do Esporte que, há nove anos, é pioneira na modalidade e serve de exemplo para outras instituições.

Com a criação da nova disciplina, o esporte se fortalece dentro da Unifesp e permite afirmar que a instituição está preparada para participar ativamente do Campeonato Mundial de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.

 

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